projecto felicidade

by catarina clemente

Eu sou uma céptica e no que respeita aos livros de auto-ajuda, desenvolvimento pessoal e, nas minhas próprias palavras “tretas semelhantes”, não acredito e pronto.

Mas o entusiasmo da Graça acabou por me contagiar e, curiosa, fui ver o que era o Projecto Felicidade da Gretchen Rubin.

Duas Fnac, uma Wook, e duas Bertrand depois, venci o cinisno e comprei o livro.

Para ser sincera também tinha trazido de Paris, há pouco tempo, o l’année du bonheur, da Isabelle Filliozat que, aliás, já me valeu algumas gargalhadas.

Posto isto, acho que é chegado o momento de dizer a verdade. Eu não sou totalmente céptica. A verdade é que oscilo entre as conversas profundas e o cinisno num  harmónico de alta frequência. Discuto, questiono, às vezes até defendo, aquelas “tretas” até à exaustão mas sempre com muita ironia e cepticismo pelo meio. E imensas gargalhadas. E gosto assim.

Claro que não posso fazer isto com toda a gente. Os totalmente crentes escandalizam-se com o meu sarcasmo. Os 100% cépticos olham-me de soslaio só de imaginar que eu posso ter um livro destes em casa.

Por isso às vezes, para fingir que não me irritam (uns e outros), faço de conta que  sou uma ameba e junto-me ao grupo dos que “não sabem/não repondem/não têm opinião”.

Felizmente (ainda) há aquelas pessoas que não julgam encerrar em si todas as verdades do universo e  com quem  vale a pena falar. Aliás,  até faço parte de um grupo que se junta de vez em quando para jantar sob o pretexto de “discutir um livro”. (A maior parte das vezes não se discute grande coisa, mas no que respeita aos comes e bebes e às gargalhadas é sempre muito terapêutico.)

Por tudo isto, e para “ser eu mesma” (private joke só para quem ler o Projecto Felicidade) decidi alargar o meu post habitual das sextas-feiras, até agora dedicado em exclusivo à gratidão, a um exercício de reflexão/ introspecção. Não prometo é que seja sempre a sério.

Mas voltando ao livro da Gretchen, que foi o que me trouxe cá. Acho-o muito bom porque ela não é uma dondoca a escrever sobre coisas transcendentais, reconexões com “eus interiores” nem “reconciliações com o passado”.  Pelo contrário. É uma mulher pragmática, que aborda questões essenciais de forma sistemática, quase científica.  Do que já li, o Projecto Felicidade não trata da busca por uma felicidade parola, como quem espalha pó-de-pirlimpimpim sobre cabeças ocas mas antes de estabelecer objectivos para nós mesmos em vez de esperar mudanças nos outros e depois amuar quando eles – obviamente – não fazem o que nós queremos/imaginamos/sonhamos/desejamos.

Em resumo: vale a pena ler.

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