chá

interiors. ideas. emotions. life.

Month: February, 2011

moving

Lentamente, chegam ao fim uma série de dias preenchidos por diversas complicações, tendo a mudança de casa sido apenas uma delas.

Com alguma pena, fica para trás a casa centenária à beira-rio. Mas o que se perde em charme, ganha-se em conforto.

Devagar, e com muito cansaço à mistura, cada coisa vai ganhando o seu lugar.

note to self: learn to not worry

«Worry is defined by Webster as “a mental distress or agitation resulting from concern, usually for something impending or anticipated.” It’s an excellent description, and there are two aspects of the definition that bear a close consideration:
1. Worry is a mental (or cognitive) activity.
2. Worry is usually about something that might or might not happen in the future.

Usually, when we worry, we have conversations with ourselves about distressing things we anticipate happening. The key word here is “anticipate.” The worry is about something that hasn’t happened and may or may not happen. Worry is always about something imaginary. Something that doesn’t yet exist. Worry, in fact, is the process of becoming distressed about the nonexistent. Put in that perspective, it seems rather silly and useless

C.S. Clarke, Ph.D., 1990

note to self: understanding the thing that you fear takes that fear away

Nothing in life is to be feared, it is only to be understood.

Now is the time to understand more, so that we may fear less.

Marie Curie

[ilustração: Alex Noriega]

para vos poupar ao meu amor não contem comigo

“Constato, pela primeira vez e com alguma violência, que o mundo contemporâneo não foi feito para mim. Ou que eu não fui feita para o mundo contemporâneo. Sinto – fulminantemente e obscuramente e dolorosamente – que a matéria de que sou feita não poderá resistir a um só dos maravilhosos planos que a civilização humana tem preparados para mim desde há séculos (…). Do que eu preciso é de um mundo onde possa (…) viver livremente o meu romantismo sôfrego e vagamente idiota.

(…) Não contem comigo. Eu não tenho jeito nenhum para ser a pessoa que todos esperam. Não tenho competência para ficar a ver o amor passar sem correr atrás. Compreendam: o amor é a minha campainha de Pavlov. Estímulo-resposta, como me foi explicado na escola de fazer profissionais. Eu não tenho jeito para telefonemas nem para passeios em centros comerciais. Não contem comigo para ser cão que ladra mas não morde. Não contem comigo para não dizer o que não é suposto. Para cancelar beijos, inventar pretextos, sufocar euforias, adiar alegrias. Para vos escutar em silêncio. Para vos poupar ao meu amor, não contem comigo.”

– Susana Santos, 2º Prémio Concurso Textos de Amor 2007, Museu Nacional da Imprensa

[ilustração: Graça Paz 2010]

(…) E fazer frente ao impossível
atrevidamente
e ganhar-lhe, e ganhar-lhe
a ponto do impossível ficar possível?
E quando tudo parece perfeito
poder-se ir ainda mais além?
E isto de desencantar vidas
aos que julgam que a vida é só uma?
E isto de haver sempre ainda mais uma maneira pra tudo?
Tu Só, loucura, és capaz de transformar
o mundo tantas vezes quantas sejam as necessárias para olhos individuais.
Só tu és capaz de fazer que tenham razão
tantas razões que hão-de viver juntas.
Tudo, excepto tu, é rotina peganhenta.
Só tu tens asas para dar
a quem tas vier buscar.

Almada Negreiros

do leito do águeda

os poetas

[imagem: Pedro Martins]

“Eugénio de Andrade disse um dia: «Às vezes sinto-me tão desesperado que me sento a escrever como quem chora». O poeta chora como só no absoluto da adolescência se sabe (…). O fim da juventude sucede quando os exércitos do bom senso aparecem ao redor das almas para as aplanarem, a poder de terra ou, nalguns casos, de cimento. (…) Trata-se de um processo lento, profissional, quase imperceptível: um dia um amigo abandona-nos e encolhemos os ombros, um dia descobrimo-nos cáusticos por tudo e deslumbrados por nada, um dia a própria palavra deslumbramento nos dá vontade de rir, um dia a febre da melancolia transforma-se na enxaqueca do tédio, um dia chamamos pudor ao pavor e juramos que nunca mais havemos de chorar. Os poetas sobrevivem a estas juras, pela arte que têm em escapar às fronteiras epistemológicas que isolam essências e aparências. E pela contínua vigilância sobre a corrosão das palavras. O seu trabalho intelectual parte da ousadia de se expor sentindo. (…) Têm a coragem de manter a alma adolescente, velha, cheia de musgos e de rasgões. (…) Partem sempre da estranheza do mundo, que é aquilo que os impede de cair na tentação da extrapolação global. E que lhes permite guardar pelos anos fora a juvenil humildade do pormenor relevante. A poesia impede a dissolução dos rostos, nomeias-os e descreve cada uma das suas sombras, fragilidades, desejos e sonhos. Nesse sentido, é uma barragem contra a desumanidade (…).”

Inês Pedrosa

confissão

De um e outro lado do que sou,
da luz e da obscuridade,
do ouro e do pó,
ouço pedirem-me que escolha;
e deixe para trás a inquietação,
a dor,
um peso de não sei que ansiedade.

Mas levo comigo tudo
o que recuso. Sinto
colar-se-me às costas
um resto de noite;
e não sei voltar-me
para a frente, onde
amanhece.

– Nuno Júdice, in “Meditação sobre Ruínas”

fragmentos da quinta da paulicêa

Recolhidos durante um breve (e mais ou menos clandestino) passeio pelos jardins abandonados da Quinta da Paulicêa.

Mais imagens deste local, que embora muito (muito, muito) abandonado/degradado/vandalizado conserva a sua magia, aqui.



rio marnel

Um passeio que começou com uma caminhada pela ponte medieval sobre o rio Marnel e terminou, acidentalmente, com uma simpática lição de história na Estação Arqueológica de Cabeço do Vouga. Aberto de  terça a sábado das 9:00 às 17:00. A entrada é livre.

[fotografias: Pedro Martins/Catarina Clemente]

do you remember the first time?

Recebi o teu bilhete
para ir ter ao jardim.
A tua caixa de segredos,
queres abri-la para mim?

Carlos Tê

[imagens: Pedro Martins]