chá

interiors. ideas. emotions. life.

Month: March, 2011

not there yet

Vejo uma árvore, vejo uma casa, vejo crianças a brincar…

 

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i wish i was a poet

«O poeta beija tudo, graças a Deus… E aprende com as coisas a sua lição de sinceridade…

E diz assim: “É preciso saber olhar…”

E pode ser, em qualquer idade, ingénuo como as crianças, entusiasta como os adolescentes e profundo como os homens feitos…

E levanta uma pedra escura e áspera para mostrar uma flor que está por detrás…

E perde tempo (ganha tempo…) a namorar uma ovelha…

E comove-se com coisas de nada: um pássaro que canta, uma mulher bonita que passou, uma menina que lhe sorriu, um pai que olhou desvanecido para o filho pequenino, um bocadinho de sol depois de um dia chuvoso…

E acha que tudo é importante…

E pega no braço dos homens que estavam tristes e vai passear com eles para o jardim…

E reparou que os homens estavam tristes…

E escreveu uns versos que começam desta maneira: “O segredo é amar…”»

– Sebastião da Gama

home

Há algumas semanas, encontrámos esta vitrina  num armazém de móveis em segunda mão. Dado o seu avançado estado de degradação – até porque se encontrava parcialmente debaixo de chuva – comprámo-la por um valor quase simbólico. Depois de uma boa limpeza, dedicámos vários dias ao tratamento e desinfestação. De seguida,  encerámos as zonas que não têm pintura.  Por fim, decidimos remover os vidros das portas que, além de se encontrarem em muito mau estado,  eram de fraca qualidade. Estamos a pensar se os substituímos por rede metálica ou se, simplemente, deixamos assim.

 

[vidros:  de um laboratório semi-abandonado;  bule:  chinesice; frasco de alumínio: sótão da avó; jarra: merci;  taça:  area]

a um dos meus leitores mais assíduos

Como agradecer-te, a infância feliz e as boas memórias? Como costumavas baloiçar-me na toalha de praia ou chegar a casa com cromos novos para a caderneta? Ou como tornaste menos dolorosos os dias negros em que temi ficar sem mãe? Como, mais tarde, me impediste de cometer um erro grave? Como nunca me faltaste com absolutamente nada? Como me apoiaste mesmo quando não concordavas com a minha decisão? Como estiveste e continuas a estar sempre ao meu lado? Constantemente. Incansavelmente. Incondicionalmente. Como só um pai, um bom pai, um grande pai, pode e sabe fazer?

Não tenho como te agradecer senão amando-te da mesma maneira. Incondicionalmente. É como te amo, Pai.

insanity

a revolta. a fúria. o discernimento turvado. a tolerância tolhida. o medo de não estar à altura. o desejo insano de cuidar. proteger. defender.

 

we will find a way

sun follows rain. strength follows pain.

there is a plan. peace follows understanding.

absurdo

é o dia cuja única lógica parece ser a de nos mostrar quão fúteis e ridículos fomos naqueles que o antecederam

Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo

Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa.

Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.

Para ti eu criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.

– Sophia de Mello Breyner Andresen

flores

mais fragmentos

Os mais bonitos, dos recentemente recolhidos. Encontro-os nos jardins da cidade ou em quintais abandonados, já cobertos de musgo. Outros, recebo-os das mãos daqueles que – como ele e ela – achando graça à colecção, também se entusiasmam a procurá-los por mim.

codornizes ao alecrim

Por aqui, há ainda muitos caixotes espalhados pela casa, à espera de serem esvaziados. Felizmente, no que respeita à cozinha, o ritmo normal foi recuperado.

Temperam-se as codornizes por dentro e por fora com sal e pimenta. De seguida, recheiam-se com uma pasta à base de pão integral (miolo) borrifado com leite, picles finamente picados e paté de aves. Atam-se as pernas com fio de cozinha e colocam-se num tabuleiro. Temperam-se com cebola, azeite, alho, tomate, tomilho, louro, vinho branco e um ramo de alecrim fresco. Acompanham-se com batatinhas assadas.