bla bla bla: os aquários e eu

by catarina clemente

archiquarium by karl-oskar ankarberg

por influência da metade, que é um aficcionado, sinto-me por vezes tentada a ter um aquário.

porém, a coisa entre mim e os aquários é a seguinte:

  • aquários têm água. logo, gosto de aquários. muito.
  • aquários dão trabalho. exigem esforço e dedicação. logo, gosto menos de aquários. bastante menos.
  • aquários transmitem calma e serenidade. logo, gosto  de aquários. outra vez.
  • aquários precisam de trambolhos equipamento que reproduza, na medida do possível, as condições ‘naturais’. acontece que é este mesmo equipamento que fica ali o tempo todo a lembrar que aquilo não é natural. logo, já não gosto assim tanto de aquários.

como vêem, os aquários e eu temos assuntos a resolver.

mas passemos ao cerne da questão. a minha verdadeira coisa com os aquários.

antes, permitam-me que faça um alerta. a minha fixação com a decoração é conhecida num raio generoso de quilómetros. mas até onde sou capaz de sacrificar o pragmatismo em favor da estética só quem já teve coragem de viver comigo pode avaliar.

avancemos.

a coisa é que não consigo gostar de aquário nenhum. e aqui refiro-me ao hardware.

posto isto, normalmente, decido desistir da ideia.

mas depois acontece-me estar a ver um filme – como sempre dividida entre acompanhar o argumento e reparar nos interiores – e vejo o aquário. o meu aquário. mas a morte do peixe pouco contribui para o enredo, o suficiente para nos fazer desconfiar do autismo da criança, e a cena passa depressa demais deixando-me sem tempo para dissecar detalhes.

e andamos nisto.

vemos peixes, pesquisamos peixes, falamos de peixes, admiramos peixes…

caixinha onde os enfiar é que não.

até ver.

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