chá

interiors. ideas. emotions. life.

Month: November, 2011

até o barro tem poesia

Fora de ti há o mundo
e nele há tudo
que em ti não cabe.

Olha as coisas com humildade.

– fernando namora

míscaros

Uma caminhada longa, perfumada por um cheiro intenso a pinhal, o chão atapetado com líquenes e cogumelos de várias espécies  e, depois de muita persistência,  uma mão cheia de míscaros para o almoço.

 

uma ideia a germinar

com muito tempo para ser cultivada

imagens via design sponge, .chocolate circus.

da insensatez do pessimismo

o otimista pode errar. o pessimista começa por estar errado.

o otimista corre o risco de sofrer. o pessimista sofre sempre e por antecipação.

o otimista vive a vida. o pessimista limita-se a assistir.

~~~

Escureces demais tuas visões,
algo de belo e bom ainda há na vida;
nem tudo na existência é uma ferida
a sangrar exaurindo as ilusões.

Certo a vida tem sombras: e as paixões
já mortas, a ternura ressequida,
tudo o que foi amado e que se olvida
é fonte de angustiosas deceções.

Mas por que duvidar, se ainda nos falam
num remoto porvir, embora obscuro,
a esperança que existe e que não vês,

a ternura profunda, o beijo puro,
as carinhosas mãos de mães que embalam
os berços cor-de-rosa dos bebés?

– josé asunción silva

achados em azul

outono II

outono I

Quando me cansei de mentir a mim próprio,
comecei a escrever um livro de poesia.

Foi há duas horas que decidi, mas foi há muito
mais tempo que comecei a cansar-me. O cansaço
é uma pele gradual como o outono. Pausa.

Pousa devagar sobre a carne, como as folhas
sobre a terra, e atravessa-a até aos ossos,
como as folhas atravessam a terra e tocam
os mortos e tornam-se férteis a seu lado.

A cidade continua nas ruas, as raparigas riem,
mas há um segredo que fermenta no silêncio.
São as palavras, livres, os livros por escrever,
aquilo que virá com as estações futuras.

Há sempre esperança no fundo das avenidas.
Mas há poças de água nos passeios. Há frio,
há cansaço, há duas horas que decidi, outono.

E o meu corpo não quer mentir, e aquilo que
não é o meu corpo, o tempo, sabe que
tenho muitos poemas para escrever.

– José Luís Peixoto

questiúnculas

Onde é que uma grávida não fashionista compra roupa? Quer dizer, se eu nunca usei modelos skinny nem padrões tigresse não é quando começo a parecer uma abóbora que vou tentar!

No outro extremo, encontro lojas que preenchem a secção pré mamã com “coisas” que só senhoras com mais de 75 anos usariam. E mesmo estas, apenas em dias maus.

Caramba, serei eu a única a acreditar no meio-termo?!

Se eu soubesse costurar, até podia tentar coser uns trapinhos que me agradassem- como estes. Como não é o caso…. azarinho!!! Vão ser 9 meses de calças de ganga.