chá

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Month: December, 2011

poema para sair de um ano e entrar no outro

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenes
Todas as buzinas
Todos os reco-reco tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso voo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA

– mário quintana

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fechar o ano a celebrar a vida

2011 começou angustiado, com uma nuvem negra a pairar sobre a vida de quem amo – mas é nos dias mais longos que nos tornamos mais fortes e nas noites mais desoladas que fazemos os planos mais doces. depois vieram as notícias boas: “teve muita sorte”. e quando a  medicina se faz de sorte, reduzimo-nos à nossa pequenez e celebramos. celebramos o facto de estar vivos e de ter tempo pela frente.

em 2011 abraçámos a nossa vida e selámos uma união adiada por demasiado tempo. e sempre que ousamos enfrentar os nossos medos, percebemos que nada havia a temer e celebramos. celebramos a teimosia de ter feito frente ao impossível e o atrevimento de não ter desistido.

em 2011 concebemos uma nova vida. e no momento em que o sonho de uma vida começa a tornar-se verdade percebemos que os milagres que a própria vida opera nos ultrapassam e celebramos. celebramos a expetativa, a curiosidade, a ternura. e saboreamos.

pelo meio, mudámos de casa, fizemos geocaching, fizemos urbex (e fomos apanhados pela gnr uma vez), explorámos o gerês, (e atravessámos a fenda da calcedónia com os cães ao colo) abandonámos o hábito de deixar os aparelhos em standby, começamos novos blogs,  recebemos o 5º chá das primas, voltámos ambos a estudar, fizemos ambos 33 anos, decorámos a varanda, o scott e o doggy fizeram centenas de asneiras e deram-nos toneladas de carinho, a minha coleção de fragmentos cresceu, comemos sushi (e detestámos), fizemos pão, fomos aos míscaros, vindimámos, nasceram-nos duas ninhadas de peixes, revimos amigos que vivem longe e vimos as primeiras imagens da nossa filha.

e assim termino 2011: saciada de vida e iluminada de esperança. porque 2012 será ainda melhor.

a todos os que por aqui passam, desejo um feliz 2012!!

 

wish you all

[happiness], originally uploaded by wood & wool stool.

 

conta-me como foi

Em 1980 era assim. Os pais usavam cabeleiras abundantes, suíças compridas e bigodes generosos. O amor pelos filhos era igualzinho.

quem disse que o cinzento é triste? (II)

Na continuação do post anterior, sou capaz de me atrever a ir ainda mais longe e usar cinzento não só na pintura do berço (vai ser reciclado) como também no tecido do protetor. Gostei de todos os cinzentos da coleção Ruby de Bonnie and Camille para a  Moda Fabrics mas estou tentada a escolher o motivo floral que, apesar da cor, me parece o mais adequado ao estilo romântico que quero conferir à zona do berço.

Além disso, esta base super neutra parece-me perfeita para dar o devido destaque ao lindo mobile Ninho que há-de sair das talentosas mãos da Marisa.

 

quem disse que o cinzento é triste? (I)

imagens via ledansla

inspirador

via marjan elämää

it’s a girl! ♥

blogs em estado de graça

Partilham o “nosso” estado: o Era uma vez, o Redonda ou Quadrada e o Saídos da Concha – onde a Maria João, a Sofia e a Constança vão relatando, cada uma à sua maneira, pequenos episódios desta viagem sem regresso que é a maternidade. A “nossa” barriga vai crescendo no foi assim que aconteceste. Lentamente, como crescem as barrigas. Para nos ensinar a ter paciência e a saborear a espera.

imagem via les petits bohemes

do remorso

O remorso crónico, e com isto todos os moralistas estão de acordo, é um sentimento bastante indesejável. Se considerais ter agido mal, arrependei-vos, corrigi os vossos erros na medida do possível e tentai conduzir-vos melhor da próxima vez. E não vos entregueis, sob nenhum pretexto, à meditação melancólica das vossas faltas. Rebolar no lodo não é, com certeza, a melhor maneira de alguém se lavar.

– aldous huxley in admirável mundo novo (prefácio de 1946)

Há a boca pisada de pedras,

e o remorso

é uma parede mordida pelo eco.

A mulher fechou-se no quarto

com a noite entre as mãos.

Está funda na casa.

Mas partidas todas as lâmpadas

a cegueira é ainda uma forma de ver.

– jorge melícias