chá

interiors. ideas. emotions. life.

Month: January, 2012

o guardador de rebanhos

Quando me sento a escrever versos
Ou, passeando pelos caminhos ou pelos atalhos,
Escrevo versos num papel que está no meu pensamento,
Sinto um cajado nas mãos
E vejo um recorte de mim
No cimo dum outeiro,
Olhando para o meu rebanho e vendo as minhas ideias,
Ou olhando para as minhas ideias e vendo o meu rebanho,
E sorrindo vagamente como quem não compreende o que se diz
E quer fingir que compreende.

– fernando pessoa, 1914

fotografia: pedro martins. mais imagens aqui.

totalmente despropositado

queridos unicórnios, bem sei que têm sentido a minha falta (sempre quis começar um post ao estilo da saudosa pipi e este pareceu-me adequado). acontece que tem reinado por aqui um feitiozinho asqueroso  que só pode resultar deste cocktail hormonal que é a gravidez. daí, a pouca vontade de escrever. ou pelo menos de escrever coisas agradáveis. de maneira que, a fim de evitar disparates, opto pelo silêncio. (não desfazendo no nosso aníbal, está claro.)

no entretanto, tentei resolver a questão com doses absurdas de chocolate, nomeadamente chocolate quente indecentemente espesso, mas a única coisa que consegui foi ficar enjoada.  já foi há dias ainda me custa olhar para a imagem. blhac.

mais alguém por aí com problemas semelhantes? (falava da gravidez. do aníbal, já se sabe. somos uns milhões)

não confundir

“É por isso que poucos chegam a aperceber-se de que a verdadeira imagem do amor acontece na caixa do supermercado, naqueles minutos em que um está a pôr as compras no tapete rolante e, na outra ponta, o outro está a guardá-las nos sacos. As canções e os poemas ignoram isto. É muito fácil confundir o banal com o precioso quando surgem simultâneos e quase sobrepostos.”

josé luis peixoto

crumble de pera

usei esta receita, com duas pequenas alterações: adicionei sementes de cardamomo à base e sementes de chia à cobertura. da próxima vez, vou reduzir no açúcar.

não sei se o aspeto convence, mas garanto que a mistura de aromas vale a pena. baunilha, canela, cardamomo e bolacha acabada de fazer… hmmm…

creative play

the nice thing about rebuilding and redecorating the home is that this work gives […] women and men the hability to engage in creative play camouflaged as serious, useful activity that “has to be done”

– gullestad m.,  “culture and everyday life”, 1989

via seventeendoors

sunday breakfast

a tarte de nata que saiu do forno à 1 da manhã (metade da qual desapareceu misteriosamente enquanto eu dormia!) e café forte para espevitar.

e a propósito de começar bem o dia, vale a pena pensar nisto:

“The first thing you do when you sit down at the computer

Let me guess: check the incoming. Check email or traffic stats or messages from your boss. Check the tweets you follow or the FB status of friends.

You’ve just surrendered not only a block of time but your freshest, best chance to start something new.

If you’re a tech company or a marketer, your goal is to be the first thing people do when they start their day. If you’re an artist, a leader or someone seeking to make a difference, the first thing you do should be to lay tracks to accomplish your goals, not to hear how others have reacted/responded/insisted to what happened yesterday.”

– seth godin’s blog

eu, catarina, me confesso

sempre quis ter um pretexto para comprar a mini cozinha do ikea, os tachinhos e os restantes utensílios. ser mãe de uma menina vai dar-me a desculpa perfeita.

the home as haven

the home shall be peaceful and cosy, warm and comfortable (woman 25)

“The home as haven can be an illustration of the importance of cosiness… this meant the right lightning, a comfortable indoor temperature, an open fireplace and also the use of hot water. Taking a bath after a long day is a way to realize this feeling of a home. A hot bath is an arena for privacy, rest and meditation, a haven within the haven.”

– margrethe aune, “energy comes home”, energy policy 35 (2007) 5457-5465

na volta do correio

há quase 27 anos (tinha acabado a 1ª classe e passava as férias de verão em casa dos meus avós maternos),  enviei este postal a um dos meus tios.  devolveu-mo há poucos dias para eu guardar de recordação. foi assim que descobri que, aos 7 anos, além de ser dona de uma caligrafia deplorável, eu não gostava de polgas pulgas e adorava a minha prima Sofiinha. a caminho dos 34 tenho uma letra ligeiramente mais bonita mas menos percetível. quanto às pulgas (sou alérgica) e à prima (gosto cada vez mais), mantenho a posição.

maizena duryea

maizena duryea: a alimentar crianças (e adultos gulosos) desde 1856. hoje, ao pequeno almoço – com muita canela e chá de cidreira.

para quem gostar de ver pequenos almoços realmente bem documentados, diariamente, vale a pena espreitar este blog que descobri através da fiona.