she believed she could so she did

by catarina clemente

um dia percebes que o tempo passou e nem sequer tentaste. por um instante celebras as dificuldades a que te poupaste. mas sabes que apenas lamentas o que não viveste: o fruto que não chegaste a provar, o arrepio que não chegaste a sentir. recordas vagamente o frémito que quase te percorreu o corpo mas travaste, somente por cobardia.

vazia, até de ti, observas a paisagem. ali está a árvore que não encobriu os vossos beijos. a pedra que não ocultou o vosso segredo. a erva alta que não cedeu sob o vosso peso, os vossos abraços e o vosso riso. o riacho que não percorreu os vossos corpos enquanto se amavam. congratulas-te por ter seguido os cânones mas continuas sem saber como teria sido. o sussurro. a pele. a vertigem. o amor.

então acordas e realizas que ainda há tempo. reúnes as forças que tens e as que desconhecias ter, abeiras-te desse abismo chamado incerteza, abres os braços e deixas-te cair. mergulhas numa viagem alucinante até esse universo paralelo em que tudo o que devia ter acontecido, aconteceu. finalmente, descobres a vida que devias ter estado a viver e entras nela. nesse momento, sabes que chegaste a casa.

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