chá na literatura

by catarina clemente

“Leni era a única interrupção benfazeja aquando destas visitas; arranjava sempre maneira de levar o chá ao advogado na presença de K. Depois ficava de pé atrás de K., fingindo observar o advogado, que, debruçado com uma espécie de avidez por cima da chávena, despejava o chá e o bebia, enquanto ela deixava K. pegar-lhe na mão às escondidas. Reinava o silêncio total. O advogado bebia, K. apertava a mão de Leni, e Leni aventurava-se por vezes a acariciar suavemente os cabelos de K.

– Ainda estás aí? – perguntava o advogado depois de ter acabado.

– Queria levar a chávena – dizia Leni; havia ainda uma derradeira pressão da mão, o advogado limpava a boca e recomeçava a arengar K. com novo vigor.”

– franz kafka, o processo

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