chá

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Month: November, 2012

detergente para a máquina de lavar roupa: a receita

blogged

ingredientes
8 litros de água
1 barra de 400 gramas de sabão azul
120 gramas de borato de sódio – à venda nas farmácias –
120 gramas de carbonato de sódio – à venda nas drogarias –
{atenção: não é bicarbonato de sódio!}

preparação
mede-se 1,5 litro de água, coloca-se numa panela de aço inoxidável, junta-se o sabão partido aos pedaços e leva-se a dissolver, em lume brando, mexendo de vez em quando. é importante que o sabão fique completamente dissolvido. adiciona-se o borato de sódio e o carbonato de sódio e mexe-se até ficar mais espesso. coloca-se a mistura num balde e juntam-se 6 a 7 litros de água quente e mexe-se bem. o detergente vai engrossando à medida que arrefece. (no fim, deve ficar com a consistência de um gel.) mexe-se de vez em quando até arrefecer completamente (demora algumas horas). guarda-se em garrafões.

modo de utilização
para uma máquina de roupa usar 1/4 de chávena (60 ml) de detergente
não é muito indicado para a roupa escura

para estas quantidades de ingredientes, gastam-se entre 3 a 4 euros.

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queijo: a receita

pois que fui pedir a receita do queijo à minha mãe.
amanhã publico a do detergente.homemade cheesereceita para 1 litro de leite {para um queijo de tamanho regular, tipo serra, devem usar-se 4 litros de leite, ou seja, quadruplicar a receita}

ingredientes
1 litro de leite “do dia”
1 “suissinho” natural sem açúcar + a mesma medida de soro de leite
{o soro de leite é obtido na preparação do queijo. da primeira vez que se faz, não tendo soro, pode substituír-se por um segundo “suissinho”}

material necessário
1 mala térmica (para piqueniques)
frascos de vidro
1 coador grande
1 pano fino
1 aro

preparação
mistura-se o leite com o suissinho e o soro (ou com os dois suissinhos, da primeira vez) e coloca-se a mistura em frascos de vidro. enche-se uma mala térmica com água quente e mergulham-se os frascos. após a temperatura estabilizar, deve-se garantir que a água está a cerca de 40º, se necessário acrescentando água quente. (para evitar que a água arrefeça logo, é melhor usar leite à temperatura ambiente).
deixam-se os frascos mergulhados na água durante a noite. de manhã, transfere-se o conteúdo para um coador coberto com um pano fino e deixa-se a escorrer o soro para um recipiente. fica a escorrer um dia ou mais, dependendo da consistência desejada.
guarda-se o soro para utilizações futuras e coloca-se o queijo escorrido num aro, para dar a forma. (pode usar-se o aro de uma forma de bolo de abrir, uma peneira de pequeno diâmetro ou qualquer outro recipiente que permita conferir a forma circular mas que deixe que o soro restante continue a escorrer.) polvilha-se a parte superior com sal fino e leva-se ao frigorífico.
entretanto pode desenformar-se e colocar uma tira feita com guardanapos de papel em redor. fica uma semana no frigorífico, virando a parte de baixo para cima e polvilhando-a com sal. ao fim de uma semana, retira-se do frigorífico e mantém-se (fora do frigorífico) mais uma semana o processo de virar e temperar com sal diariamente. e está pronto a comer!

***adenda***

1. por “suissinhos” refiro-me aos queijinhos frescos tipo “danoninho”. no intermarché, existe natural, sem açúcar, da marca “paturages”
2. por “leite do dia”, refiro-me a “leite fresco”, por exemplo, da vigor. (como é pasteurizado, possivelmente pode ser consumido por grávidas, sendo necessário ter muita atenção às datas, mas nada como aconselhar-se com o médico)

quem tem uma mãe tem tudo

o vestido e os sapatinhos: feitos em casa pela minha mãe, a partir de um casaco de lã “feltrado” por lavagens sucessivas. o detergente para a máquina de lavar roupa: feito em casa pela minha mãe. o pão: feito em casa pela minha mãe. a marmelada: feita em casa pela minha mãe. o queijo: feito em casa pela minha mãe. já dizia a canção: “quem tem uma mãe tem tudo, quem não tem mãe não tem nada”.
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da cozinha

IMGP2734na cozinharaindrops are the perfect lullaby por falar nisto: há uns meses deixei de passar a ferro toda a roupa da casa. dobro, arrumo e já está. roupa interior e pijamas, idem. às vezes até as t’shirts, as sweats e as calças de ganga. resumindo: praticamente só passo as pouquíssimas camisas que temos em casa. agora, quando penso que cheguei a passar roupa interior… pior, que cheguei a pagar a quem me fizesse isso, acho inacreditável.
e um destes dias vou trocar a nespresso por uma cafeteira moka.

do que se come

1. mais pão feito pela minha mãe: trigo integral, passas e canela.
2. tenho pena de não gostar mais de nabo. tem cores tão bonitas.
3. sabem bem as ceias tardias a dois, quando ela já está a dormir.
pequeno almoçonabocastanhas

na memória do telefone

momentos especiais ou perfeitamente banais que se vão acumulando na memória do telefone.
1. o dia em que fomos viver juntos para a casa do rio.
2. um edifício muito bem aproveitado.
3. um desejo de grávida, pão quente às 2 da manhã.
na memória do telefone
na memória do telefonena memória do telefone

bits & pieces

uma tarte de abóbora e amêndoa e um pão de passas. ambos feitos pela minha mãe. um esquisso da graça, para a parede de um quarto que anda a desenhar-se na minha imaginação. earl grey, porque o aroma de bergamota nunca cansa. amêndoa amarga com gelo e limão, porque a casa é tão quente que mesmo em dias frios continua a apetecer bebidas frescas.tarte de abóbora e amêndoapão de passastodo o tempo do mundo by graça pazearl grey. always.amêndoa amarga com gelo e limão

descascar batatas e outras questões existenciais

quantas vezes dás por ti a chegar ao emprego sem te lembrares de grande parte da viagem? quantas vezes te surpreendes em “piloto automático”, a executar tarefas mecanicamente, enquanto a tua mente anda perdida em pensamentos, projetos, ansiedades, medos e preocupações? a ruminar o passado ou a antecipar o futuro, enquanto deixas que o presente passe por ti sem lhe prestares grande atenção?
uma vez li que “ser zen não é meditar enquanto descascas batatas. ser zen é simplesmente descascar as batatas.” zen ou não, prestar atenção a cada momento, estar plenamente presente, até nas tarefas mais rotineiras, tem um efeito curativo e restaurador.
zen

a primeira boneca

chavea primeira boneca {trinca linhas 220 by cordemar}no que depender de nós, a carmo não terá caixotes e caixotes de brinquedos produzidos em massa, mas apenas uns poucos, especiais, de preferência feitos à mão por mãos habilidosas ou mesmo em casa com menos habilidade mas com muita diversão à mistura. brinquedos que durem, brinquedos que ela aprenda a estimar e valorizar por muito tempo.

a pensar nisto, decidimos que era altura de lhe oferecer a primeira boneca. a estória da trinca-linhas diz tudo aquilo que queremos ensinar-lhe sobre brinquedos e por isso a escolha não podia ter sido outra. uma boneca única, especial, com os olhos dela e com uma janelinha para guardar segredos junto ao coração.

querem ouvir a estória?
a primeira boneca {trinca linhas 220 by cordemar}

Olá, eu sou a Trinca Linhas, uma boneca de trapos, à maneira antiga mas também muito moderna – eu já explico. Sabes que agora, nos tempos que correm – não sei se são os tempos que correm se são as pessoas que andam sempre aceleradas e não prestam atenção deu-se uma invasão de bonecas de borracha ou plástico, todas cheias de cor, cheias de roupas brilhantes, lantejoulas, vestidos da moda, pinturas, secadores de cabelo, cremes, casinhas de plástico que parecem palácios ricos. Elas dominam as prateleiras dos supermercados, dos hipermercados e até das lojinhas de bairro ou aldeia. Dizem que é o progresso, os tempos modernos, mas eu não sei, tenho as minhas dúvidas. Esta cor toda, este excesso de brilhos acaba por apagar coisas que eu considero mais importantes. O quê? Já vamos ver. Essas bonecas e bonecos, sim, porque isto não é exclusivo do sexo feminino, são tão diferentes e acabam por parecer todos iguais, isto é, as crianças não parecem ganhar-lhes grande afeição, porque são aos milhares ou mesmo milhões e parecem perfeitinhos, não são nada parecidos com as pessoas… que são únicas e têm os seus defeitos como toda a gente.
Os pais compram e compram, mais e mais, e os meninos e as meninas acabam por se habituar a trocar de boneco ou boneca. Eu fico triste com isto, até por essas minhas primas, que também ficam tristes coitadinhas. Mas a culpa não é delas, claro.
Já não há aquela amizade que havia com as bonecas de trapos, que era para uma vida, não passava de moda. Por exemplo, eu tenho uma prima, a Julinha, que é boneca de trapos antiga, mas mantém os paninhos todos no sítio, bem estimada, com uma história, uma vida cheia de aventuras, de sentimentos partilhados com a sua dona, que a conserva desde a infância. As bonecas de trapos são macias, amigas, estão presentes nos momentos de alegria e tristeza, sabem ouvir e guardar segredos, passam de pais para filhos como uma herança, uma recordação de família.
Quando nos estragamos, por descoser alguma linha, basta pedir à mamã ou à avó e elas facilmente resolvem o problema. E sabes que mais, eu tenho no meu peito uma janelinha que se abre onde guardo segredos, onde podes colocar uma carta, uma flor, alguma coisa de que gostes muito, para anda sempre contigo e comigo, bem perto do coração. Eu terei sempre um sorriso para ti. Basta que feches os olhinhos e me encostes ao teu rosto… o resto é só sonhar…”

-ângelo ferreira

a primeira boneca {trinca linhas 220 by cordemar}a primeira boneca {trinca linhas 220 by cordemar}a primeira boneca {trinca linhas 220 by cordemar}

quebrar qualquer sugestão de monotonia

imperfect impermanent incomplete“no aposento do chá, o temor da repetição é presença constante. os diversos objetos de decoração devem ser selecionados de modo a que nenhuma cor ou desenho seja repetido. se você tem uma flor viva no aposento, uma pintura de flores não é admissível. se você usa uma chaleira redonda, o jarro de água deve ser angular. uma xícara preta brilhante não deve ser associada a uma caixa de chá de laca preta. ao posicionar um vaso […] devemos ter o cuidado de não colocá-lo exatamente no centro para evitar a divisão do espaço em duas partes iguais. aqui, o método japonês de decoração difere mais uma vez do ocidental, no qual vemos objetos simetricamente dispostos sobre consolas de lareiras e em toda a parte. […] a simplicidade do aposento do chá e a sua insubordinação à vulgaridade transformam-no num verdadeiro refúgio contra as vicissitudes do mundo externo. “

– kakuzo okakura in “o livro do chá”, 1906