o limpo, o belo e o natural

by catarina clemente

dead hydrangea

“do teto ao chão, tudo tem tonalidade sóbria; os próprios convidados escolheram cuidadosamente roupas de cor discreta. a brandura das coisas envelhecidas está em tudo e tudo o que sugere aquisição recente foi banido exceto por uma única nota contrastante: a concha de bambu e o guardanapo de linho, ambos imaculadamente brancos e novos. embora os aposentos e os apetrechos do chá possam parecer descorados, tudo está absolutamente limpo. nem um grão de pó será encontrado no canto mais escuro pois, caso isso aconteça, o anfitrião não será um mestre do chá. um dos primeiros requisitos de um mestre é o conhecimento de como varrer, limpar e lavar, pois existe uma arte no limpar e no tirar o pó. uma peça de metal antiga não deve ser atacada com o zelo inescrupuloso de uma dona de casa holandesa. a água que goteja de um vaso de flores não precisa ser enxugada, pois pode sugerir orvalho ou frescor.”

– kakuzo okakura in “o livro do chá”, 1906

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