a primeira boneca

by catarina clemente

chavea primeira boneca {trinca linhas 220 by cordemar}no que depender de nós, a carmo não terá caixotes e caixotes de brinquedos produzidos em massa, mas apenas uns poucos, especiais, de preferência feitos à mão por mãos habilidosas ou mesmo em casa com menos habilidade mas com muita diversão à mistura. brinquedos que durem, brinquedos que ela aprenda a estimar e valorizar por muito tempo.

a pensar nisto, decidimos que era altura de lhe oferecer a primeira boneca. a estória da trinca-linhas diz tudo aquilo que queremos ensinar-lhe sobre brinquedos e por isso a escolha não podia ter sido outra. uma boneca única, especial, com os olhos dela e com uma janelinha para guardar segredos junto ao coração.

querem ouvir a estória?
a primeira boneca {trinca linhas 220 by cordemar}

Olá, eu sou a Trinca Linhas, uma boneca de trapos, à maneira antiga mas também muito moderna – eu já explico. Sabes que agora, nos tempos que correm – não sei se são os tempos que correm se são as pessoas que andam sempre aceleradas e não prestam atenção deu-se uma invasão de bonecas de borracha ou plástico, todas cheias de cor, cheias de roupas brilhantes, lantejoulas, vestidos da moda, pinturas, secadores de cabelo, cremes, casinhas de plástico que parecem palácios ricos. Elas dominam as prateleiras dos supermercados, dos hipermercados e até das lojinhas de bairro ou aldeia. Dizem que é o progresso, os tempos modernos, mas eu não sei, tenho as minhas dúvidas. Esta cor toda, este excesso de brilhos acaba por apagar coisas que eu considero mais importantes. O quê? Já vamos ver. Essas bonecas e bonecos, sim, porque isto não é exclusivo do sexo feminino, são tão diferentes e acabam por parecer todos iguais, isto é, as crianças não parecem ganhar-lhes grande afeição, porque são aos milhares ou mesmo milhões e parecem perfeitinhos, não são nada parecidos com as pessoas… que são únicas e têm os seus defeitos como toda a gente.
Os pais compram e compram, mais e mais, e os meninos e as meninas acabam por se habituar a trocar de boneco ou boneca. Eu fico triste com isto, até por essas minhas primas, que também ficam tristes coitadinhas. Mas a culpa não é delas, claro.
Já não há aquela amizade que havia com as bonecas de trapos, que era para uma vida, não passava de moda. Por exemplo, eu tenho uma prima, a Julinha, que é boneca de trapos antiga, mas mantém os paninhos todos no sítio, bem estimada, com uma história, uma vida cheia de aventuras, de sentimentos partilhados com a sua dona, que a conserva desde a infância. As bonecas de trapos são macias, amigas, estão presentes nos momentos de alegria e tristeza, sabem ouvir e guardar segredos, passam de pais para filhos como uma herança, uma recordação de família.
Quando nos estragamos, por descoser alguma linha, basta pedir à mamã ou à avó e elas facilmente resolvem o problema. E sabes que mais, eu tenho no meu peito uma janelinha que se abre onde guardo segredos, onde podes colocar uma carta, uma flor, alguma coisa de que gostes muito, para anda sempre contigo e comigo, bem perto do coração. Eu terei sempre um sorriso para ti. Basta que feches os olhinhos e me encostes ao teu rosto… o resto é só sonhar…”

-ângelo ferreira

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