2012 review ou como a minha perspetiva sobre o dinheiro tem vindo a mudar

by catarina clemente

2012 foi um ano tramado. cortaram-nos nos ordenados, nos subsídios, nos direitos e, em alguns casos, na dignidade. diz-se que mais cedo ou mais tarde a situação há-de melhorar mas eu tenho dúvidas.

mesmo na hipótese de uma ligeira melhoria, acredito que nunca mais se voltará a viver na insustentável prosperidade que as últimas gerações conheceram. acredito que o consumismo desenfreado tem os dias contados acredito cada vez mais em saber fazer em casa, reciclar, recuperar, reutilizar e fazer durar do que em adquirir mais, mais e mais.

seja como for, 2012 não me tirou o sono. quando a austeridade chegou eu já tinha aprendido a cortar no supérfluo para ter o essencial.

há pouco mais de 4 anos eu tinha acabado de construir a minha casa ‘de sonho’ e a minha principal preocupação financeira passava por juntar dinheiro para construir uma piscina no jardim. com o tempo, percebi que numa casa nova continuava a sentir-me sozinha e que alguma prosperidade material não calava o desejo de ser mãe que me vinha sendo negado há anos. percebi que uma cozinha bem equipada de pouco serve quando raramente se tem companhia para jantar e que dormir numa suite do tamanho de muitos t1’s não muda o facto de, muitas vezes, se adormecer e acordar sozinha.

um dia, a vida apresentou-me uma das maiores decisões que já tive de tomar. continuar numa relação onde o amor há muito tinha dado lugar à amizade e onde emprego, a carreira e os bens materiais eram a prioridade ou ir viver o meu primeiro e grande amor e, com isso, perder parte da minha estabilidade financeira. segui o coração, joguei tudo ao ar e fui à procura de uma maneira diferente de viver, com menos dinheiro e mais amor. e foi nesse processo (que não foi fácil!) que gradualmente comecei a repensar as minhas necessidades materiais e emocionais e a redefinir prioridades.

é verdade que vivo com menos dinheiro mas, curiosamente, tenho mais prazer a gastá-lo. em vez de um closet cheio de tralha que comprei por impulso só porque me sentia entediada, estimo cada peça que decido comprar. gasto mais no supermercado porque em vez de comer qualquer coisa improvisada muitas vezes sozinha, cozinhar passou a ser uma coisa para fazer a dois e a hora das refeições é obrigatoriamente para nos sentarmos juntos à mesa. percebi que não preciso de uma casa com domótica, preciso de uma casa preenchida com o riso da minha filha e as gargalhadas do meu marido. descobri que quanto mais preencho a minha vida com emoções boas, menos preciso de preenchê-la com ‘coisas’. e que as coisas que preciso, devo escolhe-las a dedo e procurar a melhor compra. ou usar a imaginação e a criatividade para encontrar alternativas ou fazer em casa. e isso dá-me muito mais prazer do que comprar só porque sim.

por isso quando, em 2012, a “crise” se instalou mantive a serenidade (e continuei a reduzir os gastos). também por isso, estou optimista em relação ao futuro. não porque acredite que as coisas vão melhorar drasticamente mas porque acredito que estou a aprender a precisar de cada vez menos para ser feliz.

de resto, em 2012 posso ter perdido mais uns tostões mas ganhei uma filha. há lá comparação!!! 2012 foi, de longe, o melhor ano da minha vida! 2013 bring it on!

desejo a todos um 2013 parco mas feliz!
2012 review

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