chá

interiors. ideas. emotions. life.

Month: February, 2013

vira-casacas

prima: tens a certeza que não te enganaste a dar-me a referência?!…
eu: tenho…
prima: tens meeesmo a certeza que queres que te leve uma camisola com riscas rosa fluorescente e um coração  laranja brilhante?!… …

e cá está mais uma prova de que os filhos nascem para nos fazer questionar tudo em que julgávamos acreditar: eu, uma monocromática e “cinzentona” assumida e convicta, a certa altura dei comigo a só gostar de ver a carmo com cores fortes e padrões desiguais. atenção, continuo a gostar de ver meninas vestidas em tons neutros e suaves. mas olho para a carmo e, não sei porquê, acho que ela não é muito dessa onda. (¬‿¬)

cores

8 de 52

bolos e sabonete feitos em casa.
jacintos.
a carmo a passear com o avô e a fazer uma careta .
eu a brincar com a pucca e com a zara.semana 8 de 52

mais uma razão para eu gostar do josé luís peixoto

“sou agora capaz de compreender que, quando morre um cão, há uma tristeza específica. é fina e espeta-se no pensamento. aleija só de imaginar. deriva da pena de não termos sido capazes de estar à altura da pureza, da generosidade absoluta.”

– josé luís peixoto, visão, 20.fev.2013

inside the box

parece que a partir dos 9 meses o bebé é capaz de identificar o sentido das palavras dentro e fora. temos feito aquela brincadeira em que enchemos uma caixinha de brinquedos, deixamos que ela tire tudo, voltamos a repor e assim sucessivamente, sempre com muitos deeeentro e foooora repetidos pelo meio. hoje passámos ao nível seguinte e pusemos não só os brinquedos mas também a bebé dentro da caixa. ela achou muito mais graça.

entretanto, continuamos a preferir os brinquedos improvisados à parafernália que enche as lojas e depois se acumula nas nossas casas. a verdade é que também temos tido sorte com os presentes e praticamente ela não tem recebido brinquedos. antes de ser mãe não tinha esta sensibilidade mas agora percebo que devem ser os pais a decidir o tipo e quantidade de brinquedos que os filhos possuem.
este é um assunto sobre o qual temos conversado cá em casa – até porque é fácil ter teorias bastante acertadas mas na prática o desafio é significativamente maior. queremos o melhor para a nossa filha e isso passa não por lhe dar “tudo, do bom e do melhor” mas, antes, por impedir que ela cresça com um reizinho na barriga e convencida de que tem direito a tudo. até porque a vida não é assim e um dia acabaria por ser ela a sofrer. claro que não é fácil, que não vai depender só de nós, que mais cedo ou mais tarde outras pessoas terão influência, que a personalidade dela acabará por ter um certo peso, mas faremos a nossa parte.

hoje passou uma reportagem na televisão em que uma mãe praticamente da minha idade confessava ter de recorrer aos contentores de lixo dos supermercados para alimentar os dois filhos. infelizmente, nada de novo, histórias destas tornaram-se o prato do dia. tento compreender o desespero da situação mas não consigo porque nunca tive de passar por nada minimamente semelhante. dói-me ouvir que se preocupam com o que o futuro reserva para os filhos quando tenho o mesmo tipo de preocupações só que numa situação (por enquanto) incomparavelmente mais privilegiada. isto para dizer que começo a não ter paciência nenhuma para pessoas que já têm muito mais do que precisam mas insistem em ter mais e ainda por cima não se contentam com nada menos que o melhor. parece-me quase imoral. e ligeiramente imbecil também.
inside the boxinside the boxinside the boxinside the boxinside the box

semana 7 de 52 … há 6 anos!

16 de fevereiro de 2007. 2º edição do chá das primas. na altura a sofia vivia em coimbra, na rua do cabido, numa casinha muito castiça e antiga que, infelizmente, não fotografámos. era realmente digna de registo.
semana 7 de 52 (em 2007)

de mala e cuia

admiro as mães (e os pais) que, com os seus pequenos rebentos, se atrevem a viajar, passar fins de semana fora, fazer férias e todas essas coisas que envolvem a complicada logística de sair de casa com um bebé. para mim, sair com ela todas as manhãs sem me esquecer de nada (esqueço sempre) já é uma façanha.

mas lá ganhei coragem, metemos umas coisas nuns sacos e fomos passar dois dias à praia.

resultado: esqueci-me de levar umas quantas coisas e depois esqueci-me de trazer outras, o cão andou doido de excitação, a miúda aborreceu-se uma ou outra vez, eu passei-me outras tantas, o pai teve momentos de jurar a pés juntos que nunca mais saía de casa comigo mas, no geral, acabou por correr bastante bem. espreitámos o mar, comemos peixinho grelhado, usámos a internet em doses homeopáticas e vimos pouquíssima televisão. em resumo: mudámos de ares.

dá mais trabalho que ficar por casa, mas acaba por saber bem. a partir de agora é para repetir.
carnaval na praiacarnaval na praiacarnaval na praiacarnaval na praiacarnaval na praiacarnaval na praiacarnaval na praiacarnaval na praiacarnaval na praiacarnaval na praiacarnaval na praia

semana 6 de 52

e se em vez de criticarmos tanto os nossos artistas, os acarinhássemos mais?…
JP

está tudo bem

faz agora dois anos que, de um dia para o outro, um diagnóstico nos tirou o chão debaixo dos pés. depois vieram as consultas, os exames e as cirurgias. pelo meio, a esperança, o medo, o alívio e a angústia sucederam-se numa sequência mais ou menos aleatória. mas mantiveste a serenidade e recusaste-te a fazer espetáculo da tua dor. quando se chegaram a colocar os piores cenários foste tu, sabe-se lá com que custo, quem nos animou e fez rir.

uma noite, a mais triste de todas (mas também a que recordo com maior ternura), senti-nos tão próximos que soube que viesse o que viesse, seríamos capazes de enfrentá-lo juntos. acho que sentiste o mesmo porque me confidenciaste que continuavas a querer que tivéssemos um filho. mesmo que tudo corresse mal. sobretudo se tudo corresse mal.

mas não correu e um dia ouvimos do médico as únicas palavras que queríamos ouvir: “está curado, teve muita sorte”. assim tem sido, temos tido muita sorte. um dia por ano vamos certificar-nos que continua tudo bem. ontem foi o dia e está tudo bem. mais um ano em que está tudo bem. que vivas muitos, meu amor.

semana 5 de 52

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