inside the box

by catarina clemente

parece que a partir dos 9 meses o bebé é capaz de identificar o sentido das palavras dentro e fora. temos feito aquela brincadeira em que enchemos uma caixinha de brinquedos, deixamos que ela tire tudo, voltamos a repor e assim sucessivamente, sempre com muitos deeeentro e foooora repetidos pelo meio. hoje passámos ao nível seguinte e pusemos não só os brinquedos mas também a bebé dentro da caixa. ela achou muito mais graça.

entretanto, continuamos a preferir os brinquedos improvisados à parafernália que enche as lojas e depois se acumula nas nossas casas. a verdade é que também temos tido sorte com os presentes e praticamente ela não tem recebido brinquedos. antes de ser mãe não tinha esta sensibilidade mas agora percebo que devem ser os pais a decidir o tipo e quantidade de brinquedos que os filhos possuem.
este é um assunto sobre o qual temos conversado cá em casa – até porque é fácil ter teorias bastante acertadas mas na prática o desafio é significativamente maior. queremos o melhor para a nossa filha e isso passa não por lhe dar “tudo, do bom e do melhor” mas, antes, por impedir que ela cresça com um reizinho na barriga e convencida de que tem direito a tudo. até porque a vida não é assim e um dia acabaria por ser ela a sofrer. claro que não é fácil, que não vai depender só de nós, que mais cedo ou mais tarde outras pessoas terão influência, que a personalidade dela acabará por ter um certo peso, mas faremos a nossa parte.

hoje passou uma reportagem na televisão em que uma mãe praticamente da minha idade confessava ter de recorrer aos contentores de lixo dos supermercados para alimentar os dois filhos. infelizmente, nada de novo, histórias destas tornaram-se o prato do dia. tento compreender o desespero da situação mas não consigo porque nunca tive de passar por nada minimamente semelhante. dói-me ouvir que se preocupam com o que o futuro reserva para os filhos quando tenho o mesmo tipo de preocupações só que numa situação (por enquanto) incomparavelmente mais privilegiada. isto para dizer que começo a não ter paciência nenhuma para pessoas que já têm muito mais do que precisam mas insistem em ter mais e ainda por cima não se contentam com nada menos que o melhor. parece-me quase imoral. e ligeiramente imbecil também.
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