chá

interiors. ideas. emotions. life.

Month: March, 2013

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tinha tudo para ser uma semana das boas: tempo livre, sem horários, fim de semana prolongado… depois, um a um ficámos todos adoentados e, para terminar em beleza, a chuva cancelou-nos os planos. um flop. agora é “xô, março! venha abril!! e sol. por favor, muito sol.”13 de 52IMGP4971

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legendas da semana: um pouquinho de febre, alguma tosse e muito chá de limão. tentativas continuadas de se pôr em pé sozinha mas o rabito é pesado ainda tem um problema de centro de gravidade por resolver. um pequeno acidente doméstico, protagonizado pelo scott, de que o tubarão acabou por assumir a culpa. biscoitos e respetivas migalhas que o aspirador inteligente rapidamente se encarregou de eliminar.
amarelo limãoamarelo limãoamarelo limãoshark attack12 de 52

biscoitos caseiros para a piolha

a vantagem dos biscoitinhos é que ela pode comê-los sozinha, sem se sujar. e sendo feitos em casa, são uma boa maneira de lhe dar cereais integrais e sementes, evitando os óleos hidrogenados das bolachas de compra. estes (um nadinha escuros demais por distração), fiz com farinha de trigo integral, gérmen de trigo, coco ralado, sementes de sésamo, linhaça e papoila, uma pitada de açúcar amarelo, iogurte e arandos secos. também já experimentei os super fáceis de banana e flocos de aveia e uns bem simples de farinha integral e raspa de limão. mesmo sem eu ter muito jeito, ela tem gostado de todos! cranberry-coconut biscuits

os pais

sem querer dar demasiada importância a um dia convencionado no calendário, é impossível passar por ele sem lembrar todos os “pais” da nossa vida: o pai dela, o meu pai, agora avô dela, e também o pai dele, o avô que a ela faz falta por ter partido cedo demais, o pai do meu pai e o pai da minha mãe e todos os outros pais dos pais sobre quem eu gostaria de saber mais para lhe contar a ela como chegámos aqui. hoje o dia é do pai pedro, do “pai-avô” zé e do “pai-avô” orlando, e dos “pais-avós-bisavós” zé, antónio, pedro e custódio. não porque o calendário diz mas porque nunca é demais lembrar o bem que nos coube.
o pai

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o mercadito da melinda

um texto da belinda, que não pude deixar de partilhar:

“Depois de ver algumas fotos do mercadito da carlota, fico a pensar que a “crise” não é para mim sinónimo de ajudar quem mais precisa ou de pedir a quem mais tem. Quem precisa vai continuar a pedir e quem não precisa vai continuar a consumir.
“Vamos ali comprar um vestido da Knot e levamos um frasquinho de grão para os mais necessitados.” Que estranho conceito de solidariedade. Eu posso consumir o que me apetecer mas tu limitas-te a pedir alimento.
A “crise” deveria ser um meio para as pessoas evoluírem, se tornarem mais conscientes, mais ligadas à natureza e menos ligadas aos bens materiais. A crise deveria fazer com que partilhássemos um carro, uma casa, uma sopa, um brinquedo, umas meias, um abraço. Não, a crise faz com que os que têm mais dêem aos que têm menos. E assim todos uns acima dos outros. Eu tenho e tu não.
A minha filha não usa roupas do mercadito da Carlota, usa roupas usadas por outras crianças, usa roupas feitas pela avó com restos de outros tecidos, usa, uma ou outra vez, roupas que a mãe compra, mas não tem tudo de marca e muito menos tem o que está na moda. E assim tem sido com livros e brinquedos, de outras crianças e para outras crianças. Não é uma questão de “crise” é uma questão de expansão da consciência.
Certo que, esta é apenas a minha forma de evolução e a minha forma de educar uma criança. E, como todos sabemos ninguém está certo e ninguém está errado, as pessoas vivem da forma que muitas vezes escolhem. Eu escolho viver assim. Com pouco de tudo e muito de nada.”

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resumo dos episódios da semana: carmo, a observadora, examina com a maior atenção tudo o que consegue agarrar. o creme de rosto e a água de colónia merecem-lhe particular atenção. scott, o beijoqueiro, apanha-a desprevenida e tenta “beijá-la”. carmo faz cara de “nojo!”. depois de quase um ano de cuidados, uma das orquídeas vai voltar a florir. entretanto, carmo descobre que pôr e tirar brinquedos do cesto é divertido. porém, dias depois descobre que empilhar cubos é ainda melhor.
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a semana passou depressa demais
e eu senti-me cansada e sem energia
na varanda

abrir as gavetas da memória

abril de 1989: a minha avó, feliz, entre mim e um dos meus tios. (nunca foi de grandes manifestações mas reconheço-lhe a expressão). encontro a fotografia por acaso e começo a lembrar-me, com uma nitidez inesperada, dos detalhes da viagem: sítios onde fomos, conversas que tivemos, coisas que comemos. a minha avó mimava-me sempre mas quando tomava conta de mim, sem os meus pais estarem, mimava-me ainda mais.

de repente, surge-me uma avalanche de memórias desta avó antes da doença lhe ter roubado a identidade: a tirar croissants quentes do forno, a comprar-me uma fatia de pizza na rua, a levar-me ao parque infantil, as pernas bem torneadas nos saltos de cunha, os vestidos que duravam anos, as compotas com pedaços de fruta generosos, a bola de berlim com que me entrava pela porta dentro todos os sábados e até o gato minou que chegou de frança com trela e acabou os dias a correr livre pelos campos.

junho de 2010: provavelmente uma das últimas vezes que se sentou connosco à mesa. a partir daí o declínio foi vertiginoso. com o tempo, acabei por me habituar a vê-la acamada e alheia à realidade e cada vez é mais difícil lembrar-me dela com a genica, o mau feitio e a imensa generosidade que lhe conheci.

considerada “limitada” por muitos (e, de facto, não teve o benefício da instrução escolar ou sequer de uma estrutura familiar adequada) e com uma personalidade aparentemente (e só aparentemente) apagada, como mãe e avó era uma leoa. defendia, protegia e providenciava.  devo-lhe muito.

esta semana perguntei-lhe: “gostas de mim?”
e num momento raro, teve a lucidez de responder e, com dificuldade, disse: “eu gosto!”
“eu também gosto muito de ti” – respondi-lhe.

– 9 de janeiro de 2013

avó. 1989avó. 2010

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uma pilha interminável de roupa para dobrar e arrumar
um cão em carência afetiva
um bolo de iogurte
uma prímula e um amor perfeito
uma filha de sorriso fácil
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