chá

interiors. ideas. emotions. life.

Category: Bla bla bla

vira-casacas

prima: tens a certeza que não te enganaste a dar-me a referência?!…
eu: tenho…
prima: tens meeesmo a certeza que queres que te leve uma camisola com riscas rosa fluorescente e um coração  laranja brilhante?!… …

e cá está mais uma prova de que os filhos nascem para nos fazer questionar tudo em que julgávamos acreditar: eu, uma monocromática e “cinzentona” assumida e convicta, a certa altura dei comigo a só gostar de ver a carmo com cores fortes e padrões desiguais. atenção, continuo a gostar de ver meninas vestidas em tons neutros e suaves. mas olho para a carmo e, não sei porquê, acho que ela não é muito dessa onda. (¬‿¬)

cores

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inside the box

parece que a partir dos 9 meses o bebé é capaz de identificar o sentido das palavras dentro e fora. temos feito aquela brincadeira em que enchemos uma caixinha de brinquedos, deixamos que ela tire tudo, voltamos a repor e assim sucessivamente, sempre com muitos deeeentro e foooora repetidos pelo meio. hoje passámos ao nível seguinte e pusemos não só os brinquedos mas também a bebé dentro da caixa. ela achou muito mais graça.

entretanto, continuamos a preferir os brinquedos improvisados à parafernália que enche as lojas e depois se acumula nas nossas casas. a verdade é que também temos tido sorte com os presentes e praticamente ela não tem recebido brinquedos. antes de ser mãe não tinha esta sensibilidade mas agora percebo que devem ser os pais a decidir o tipo e quantidade de brinquedos que os filhos possuem.
este é um assunto sobre o qual temos conversado cá em casa – até porque é fácil ter teorias bastante acertadas mas na prática o desafio é significativamente maior. queremos o melhor para a nossa filha e isso passa não por lhe dar “tudo, do bom e do melhor” mas, antes, por impedir que ela cresça com um reizinho na barriga e convencida de que tem direito a tudo. até porque a vida não é assim e um dia acabaria por ser ela a sofrer. claro que não é fácil, que não vai depender só de nós, que mais cedo ou mais tarde outras pessoas terão influência, que a personalidade dela acabará por ter um certo peso, mas faremos a nossa parte.

hoje passou uma reportagem na televisão em que uma mãe praticamente da minha idade confessava ter de recorrer aos contentores de lixo dos supermercados para alimentar os dois filhos. infelizmente, nada de novo, histórias destas tornaram-se o prato do dia. tento compreender o desespero da situação mas não consigo porque nunca tive de passar por nada minimamente semelhante. dói-me ouvir que se preocupam com o que o futuro reserva para os filhos quando tenho o mesmo tipo de preocupações só que numa situação (por enquanto) incomparavelmente mais privilegiada. isto para dizer que começo a não ter paciência nenhuma para pessoas que já têm muito mais do que precisam mas insistem em ter mais e ainda por cima não se contentam com nada menos que o melhor. parece-me quase imoral. e ligeiramente imbecil também.
inside the boxinside the boxinside the boxinside the boxinside the box

2012 review ou como a minha perspetiva sobre o dinheiro tem vindo a mudar

2012 foi um ano tramado. cortaram-nos nos ordenados, nos subsídios, nos direitos e, em alguns casos, na dignidade. diz-se que mais cedo ou mais tarde a situação há-de melhorar mas eu tenho dúvidas.

mesmo na hipótese de uma ligeira melhoria, acredito que nunca mais se voltará a viver na insustentável prosperidade que as últimas gerações conheceram. acredito que o consumismo desenfreado tem os dias contados acredito cada vez mais em saber fazer em casa, reciclar, recuperar, reutilizar e fazer durar do que em adquirir mais, mais e mais.

seja como for, 2012 não me tirou o sono. quando a austeridade chegou eu já tinha aprendido a cortar no supérfluo para ter o essencial.

há pouco mais de 4 anos eu tinha acabado de construir a minha casa ‘de sonho’ e a minha principal preocupação financeira passava por juntar dinheiro para construir uma piscina no jardim. com o tempo, percebi que numa casa nova continuava a sentir-me sozinha e que alguma prosperidade material não calava o desejo de ser mãe que me vinha sendo negado há anos. percebi que uma cozinha bem equipada de pouco serve quando raramente se tem companhia para jantar e que dormir numa suite do tamanho de muitos t1’s não muda o facto de, muitas vezes, se adormecer e acordar sozinha.

um dia, a vida apresentou-me uma das maiores decisões que já tive de tomar. continuar numa relação onde o amor há muito tinha dado lugar à amizade e onde emprego, a carreira e os bens materiais eram a prioridade ou ir viver o meu primeiro e grande amor e, com isso, perder parte da minha estabilidade financeira. segui o coração, joguei tudo ao ar e fui à procura de uma maneira diferente de viver, com menos dinheiro e mais amor. e foi nesse processo (que não foi fácil!) que gradualmente comecei a repensar as minhas necessidades materiais e emocionais e a redefinir prioridades.

é verdade que vivo com menos dinheiro mas, curiosamente, tenho mais prazer a gastá-lo. em vez de um closet cheio de tralha que comprei por impulso só porque me sentia entediada, estimo cada peça que decido comprar. gasto mais no supermercado porque em vez de comer qualquer coisa improvisada muitas vezes sozinha, cozinhar passou a ser uma coisa para fazer a dois e a hora das refeições é obrigatoriamente para nos sentarmos juntos à mesa. percebi que não preciso de uma casa com domótica, preciso de uma casa preenchida com o riso da minha filha e as gargalhadas do meu marido. descobri que quanto mais preencho a minha vida com emoções boas, menos preciso de preenchê-la com ‘coisas’. e que as coisas que preciso, devo escolhe-las a dedo e procurar a melhor compra. ou usar a imaginação e a criatividade para encontrar alternativas ou fazer em casa. e isso dá-me muito mais prazer do que comprar só porque sim.

por isso quando, em 2012, a “crise” se instalou mantive a serenidade (e continuei a reduzir os gastos). também por isso, estou optimista em relação ao futuro. não porque acredite que as coisas vão melhorar drasticamente mas porque acredito que estou a aprender a precisar de cada vez menos para ser feliz.

de resto, em 2012 posso ter perdido mais uns tostões mas ganhei uma filha. há lá comparação!!! 2012 foi, de longe, o melhor ano da minha vida! 2013 bring it on!

desejo a todos um 2013 parco mas feliz!
2012 review

a poupança, o cabelo e as socialites

calma que isto não se vai tornar um daqueles blogs de “dicas de poupança” onde logo depois de nos darem ideias para uns menus franciscanos poupadinhos, nos espetam com uma publicidade do sapato da moda. eu de poupanças não percebo mais do que aquilo a que sou obrigada, mas roubar da boquinha para meter no pé não me parece bem.

posto isto, e a quem interessar, aqui fica uma ideia de como passei a gastar menos dinheiro com o meu cabelo. não quer dizer que resulte com todos os cabelos, não quer dizer que eu ande exemplarmente penteada (que não ando) mas, ainda assim, a quem interessar:

1. pinto o cabelo em casa.
só pinto o cabelo porque tenho muitas brancas (provavelmente, é castigo dos muitos anos que fiz madeixas sem necessidade nenhuma). costumava usar produtos químicos, mas recentemente passei a usar henna. é um bocadinho mais chato de utilizar mas é muitíssimo mais saudável e barato.

2. corto o cabelo em casa.
para um corte comprido e escadeado básico como o meu, há montanhas de vídeos no youtube que explicam como fazer. é mesmo muito fácil e posso cortar só aquilo que quero (quando ia ao cabeleireiro, cortavam-me sempre uns bons centímetros além do combinado).

3. faço o brushing em casa.
quando quero usar o cabelo esticado, também faço eu. basta ter um bom secador e uma boa escova e alguma paciência. também é um rico exercício para os bíceps. no entanto faço isto cada vez menos, o que me leva ao próximo ponto.

3. raramente seco o cabelo com o secador.
desde que passei a cortar em casa faço um escadeado bastante mais pronunciado, que retira volume ao cabelo, e assim posso deixá-lo secar ao natural sem ficar com um cabeção. eu poupo na conta da eletricidade e as pontas secas agradecem.

isto tudo para dizer que – com exceção  do dia do casamento – há mais de 15 meses que não ponho os pés num salão.  são 15 meses sem conversa de cabeleireiro, 15 meses sem ler a caras, 15 meses sem saber nadinha da lili, da cinha e da bibá! 15, carago, 15!!!

o que mudou [desafio]

A quem fez listas semelhantes, há pelo menos um ano atrás, deixo o desafio de reverem e atualizarem as vossas respostas. Pode ser revelador… :)

O mais importante: saber rir de si mesmo e não se levar, nunca, demasiado a sério. Aqui fica a minha “análise”.

. . .

2009: Sou filha única e não gosto. No entanto, aprendi a estar sozinha sem me sentir só. Gosto de ter pessoas à minha volta mas também aprecio os momentos que passo sozinha.

2012: Passo pouco tempo sozinha e não sinto falta de o fazer. Continuo a não gostar de ser filha única.

2009: Tenho 30 anos mas sempre que alguém pergunta ou tenho de escrever a minha idade, acho que tenho 26.

2012: Ganhei  a perfeita consciência de que entrei, irremediavelmente, na casa dos trinta.

2009: Quero ter filhos, porém, ainda não encontrei a coragem para o fazer. Imagino que o amor que uma mãe sente pelos seus filhos seja tão grande que chegue a doer. Ainda não me sinto preparada para essa “doce dor”.

2012:  Ganhei coragem Encontrei alguém que me deu a coragem necessária. Aos 33 anos, espero o meu primeiro filho.

2009: Adoro: o som da água nos meus braços quando nado, o cheiro de pipocas e o sabor de um pão com banana.

2012: Coincidência (ou não) ontem mesmo nadei e ontem mesmo lanchei pão com banana.

2009: Detesto brigas e confrontações e faço tudo para as evitar.

2012: A vida impôs-me confrontações, discussões e conversas desagradáveis a que não pude fugir. Não me fez mal, mas continuo a evitar o mais possível.

2009: Adoro cães e não há nada que eu possa fazer a esse respeito.

2012: Piorei. Continuo a preocupar-me com a Pucca, com a Zara e com a Petra mas agora também com o Scott e com o Doggy.

2009: Sou uma entusiasta de tudo o que tem a ver com design de interiores.

2012: Mantém-se. Tenho pena de não poder dedicar mais tempo ao assunto e com maior seriedade.

2009: Quando era pequena, sonhava ser professora. Acabei por me tornar engenheira mas trabalho como professora desde que acabei o curso. Algumas pessoas chamar-lhe-iam destino, mas…

2012: Ainda trabalho como professora.

2009: Não acredito no destino.

2012: Continuo a não acreditar. Acredito que o acaso coloca diante de nós escolhas. O que fazemos delas é responsabilidade nossa.

2009: Admiro profundamente pessoas organizadas e lamento não ser uma delas.

2012: O problema persiste.

2009: Vivo numa pequena aldeia e é o lugar perfeito para mim. Mais do que duas semanas na cidade e começo a deprimir.

2012: Acabei por deixar a aldeia e viver numa cidade (muito) pequena. Tem as suas vantagens mas não é o meu lugar. Sei que, um dia, acabarei por regressar ao campo.

2009: Tenho um problema com iogurtes: aborreço-me. Devo ser a única pessoa à face da terra que passa, literalmente, meia hora na secção dos iogurtes à procura de algo novo.

2012: Confere. Quando, no supermercado, ele me ouve dizer “vou escolher iogurtes”, costuma entrar em pânico.

2009: Depois de um dia longo, o meu momento preferido é quando tomo um banho de imersão enquanto leio um bom livro. Silêncio absoluto é um requisito.

2012: Faço-o com menor frequência, porém, continuo a exigir silêncio. (Ainda não percebi o objetivo das banheiras de hidromassagem. Relaxar ao som de um motor?!… Não, obrigada.)

2009: Procurar semelhanças físicas entre parentes é um dos meus hobbies secretos.

2012: Sim, ainda passo a vida a comparar pessoas de uma mesma família em busca de traços, formas, gestos e tudo o que possa ser geneticamente transmitido. É viciante. Pelos vistos, já não é secreto.

2009: Adoro ouvir histórias sobre os meus antepassados. Às vezes imagino como seria conhecê-los.

2012: Passei a interessar-me também por todas as histórias relacionadas com os antepassados (paternos) da minha filha. Hoje mesmo dediquei  um bom tempo a um antigo albúm fotográfico do avô dela. (Por falar nisso, espero que lhe herde alguma semelhança física.)

2009: Aprecio todas as pequenas coisas da vida (…).

2012: Dou cada dia mais valor às pequenas coisas. Desprezo proporcionalmente tudo o que é supérfluo, frívolo e materialista.

totalmente despropositado

queridos unicórnios, bem sei que têm sentido a minha falta (sempre quis começar um post ao estilo da saudosa pipi e este pareceu-me adequado). acontece que tem reinado por aqui um feitiozinho asqueroso  que só pode resultar deste cocktail hormonal que é a gravidez. daí, a pouca vontade de escrever. ou pelo menos de escrever coisas agradáveis. de maneira que, a fim de evitar disparates, opto pelo silêncio. (não desfazendo no nosso aníbal, está claro.)

no entretanto, tentei resolver a questão com doses absurdas de chocolate, nomeadamente chocolate quente indecentemente espesso, mas a única coisa que consegui foi ficar enjoada.  já foi há dias ainda me custa olhar para a imagem. blhac.

mais alguém por aí com problemas semelhantes? (falava da gravidez. do aníbal, já se sabe. somos uns milhões)

questiúnculas

Onde é que uma grávida não fashionista compra roupa? Quer dizer, se eu nunca usei modelos skinny nem padrões tigresse não é quando começo a parecer uma abóbora que vou tentar!

No outro extremo, encontro lojas que preenchem a secção pré mamã com “coisas” que só senhoras com mais de 75 anos usariam. E mesmo estas, apenas em dias maus.

Caramba, serei eu a única a acreditar no meio-termo?!

Se eu soubesse costurar, até podia tentar coser uns trapinhos que me agradassem- como estes. Como não é o caso…. azarinho!!! Vão ser 9 meses de calças de ganga.

confortos de uma quarta feira cinzenta

O Outono decidiu, finalmente, brindar-nos com um dia característico desta estação do ano. Se não houver exageros, sabe bem.

Em dias assim, quando estou fora de casa, gosto de olhar para as janelas com luzes acesas e perceber pequenos detalhes de conforto nas casas dos outros: um compartimento à média luz, um candeeiro de mesa, um televisor ligado… e aquele bem-estar contagia-me.

Mas confesso: prefiro a perspectiva contrária. Enquanto lá fora o vento e a chuva fustigam as janelas, cá dentro tudo é aconchego.

O Scott e o Doggy, depois de um banho quente e da brincadeira da bola (da qual são ambos praticantes histéricos) adormecem no sofá. Eu faço uma pausa para chá que acompanho com o melhor queque de maçã do mundo (hoje fizeram-nos em forma de bolo de arroz) e que, para meu azar, se vende aqui  à porta de casa. Uso o açucareiro que veio do sótão da minha avó tal como as mantas de farrapo que agora protegem os sofás. Porque estar rodeada de objectos com significado acrescenta conforto.

on the birth of a son

Todos desejamos ter um filho inteligente;
no entanto, a inteligência fez-me perder a vida.
Agora quero um menino ignorante e estúpido:
sem dificuldades chegará a ministro.

Su Shi, poeta chinês do século 11

Ao contrário do poeta, eu não só desejo um filho inteligente como desejo que ele nunca seja ministro. Nunca antes a política me provocou tantas náuseas. Infelizmente não é nojo que se deva à gravidez.

a questão do “eu”

A dificuldade, na gestão da auto-estima, reside na definição de um algoritmo de controlo que assegure, continuamente, a manutenção dos seus valores dentro da gama desejável. Valores abaixo do setpoint, corróiem-nos a alma. Mas logo que o ultrapassam, deixam-nos expostos ao ridículo.

Mas a questão essencial coloca-se na definição do setpoint em si mesma. Como podemos confiar no valor que consideramos adequado atribuir à nossa própria pessoa se é essa mesma pessoa a atribuí-lo?

eu, o insistente e enfático eu em itálico, o eu ao qual estou brutalmente afeiçoado”.

– julian barnes