chá

interiors. ideas. emotions. life.

Category: Collection

collection update

a coleção continua a crescer. a minha tia guarda-me todos os que encontra na horta e eu, sempre que posso, continuo a procurá-los.
há uns dias, com 10 senhas à nossa frente na fila da segurança social, demos um pequeno passeio e conseguimos encontrar mais alguns. fragmentos

searching for something previously unknown or forgotten

searching for something previously unknown or forgotten on governors island de matthew jensen. gosto muito. por motivos óbvios.

my day in photos 05.04.2012

breakfast
growing collection
jordgubbar
cleaning
inside
cleaning
inside

my day in photos 04.04.2012

viseu.

ele: a reviver memórias e a revisitar lugares do passado dele.

eu: a resgatar pedaços de cerâmica e malas de cartão de passados alheios.

IMGP0733
IMGP0755
IMGP0787
IMGP0814
IMGP0822

fotografia: pedro martins

achados em azul

fragmentos de lourizela

Lourizela é uma aldeia perdida nas faldas das serras de Águeda. Aldeia rústica, com poucos habitantes à semana, é ao fim de semana que ganha o movimento de outrora, nas suas ruas estreitas e sem saída, onde mal cabe um automóvel, esta aldeia recomeçou a cativar os seus filhos e alguns forasteiros. Têm sido reconstruídas várias casas, o que lhe está a dar uma nova vida.”

Em termos de “arqueologia de jardim”, revelou-se terreno fértil.

mimo-no-caco

como neta mais velha fui, durante uns anos, o mimo-no-caco dos tios.

estes cacos, são um mimo da minha tia fátima :))

mimo-no-caco:
m. T. fam. da Bairrada.
O mesmo que mimalho.
Choramingas.
léx;co dicionário português online

collection update

férias’11: 8º episódio “viagem ao passado”

Último dia, última caminhada.

Destino: Vilarinho de Furnas, aldeia submersa pelas águas da barragem desde 1971.

Não vou tentar explicar o que sinto num local como este. Só quem, como eu, tem paixão pelo passado – mesmo aquele que não me pertence – pode compreender.

Muriel Rukeyser teve, a este propósito, uma frase brilhante: “o universo é feito de histórias, não de átomos”.

E eu poderia fazer agora um belo exercício de escrita acerca do que o passado significa para mim (o meu inclusive) e recheá-lo de sentenças elaboradas e vocábulos extravagantes para tentar justificar esta minha adição. Talvez até devesse fazê-lo a bem do esclarecimento daqueles que, de vez em quando, me acusam de me agarrar em demasia ao que já passou. Mas não é caso para tanto. Não me levo assim tão a sério. O que se passa é que sou irremediavelmente nostálgica e pateticamente romântica. Só isso.

E talvez por isso (deixem-me acreditar que sim), havia à minha espera, sob as águas de Vilarinho de Furnas, há pelo menos 40 anos, um fragmento de cerâmica com um casal de passaritos…

“Vem aí a presa.” A frase verbalizava o receio de desaparecimento da aldeia nos anos que antecederam o enchimento da albufeira. A “presa” começou a ser uma realidade cada vez mais próxima, até que, em 1971, foi preciso meter toda a aldeia em carrinhas e tirá-la dali. […]

No dia seguinte só havia silêncio. Houve uma voz que se apagou.” Vilarinho da Furna estava logo do outro lado do rio. “Tinham rebanhos de cabras, tinham vacas e porcos, mas de repente deixámos de os ouvir.”

Público, 23.08.2009

Viam a luz nas palhas de um curral,
Criavam-se na serra a guardar gado.
À rabiça do arado,
A perseguir a sombra nas lavras,
aprendiam a ler
O alfabeto do suor honrado.
Até que se cansavam
De tudo o que sabiam,
E, gratos, recebiam
Sete palmos de paz num cemitério
E visitas e flores no dia de finados.
Mas, de repente, um muro de cimento
Interrompeu o canto
De um rio que corria
Nos ouvidos de todos.
E um Letes de silêncio represado
Cobre de esquecimento
Esse mundo sagrado
Onde a vida era um rito demorado
E a morte um segundo nascimento
.

Miguel Torga, 1976

mais fragmentos