chá

interiors. ideas. emotions. life.

Category: engineering meets poetry

decadência

Sequer há conclusão? Sequer há morte
nas palavras deixadas pelos recantos
mais sujos e perdidos do seu norte?

– luis filipe castro mendes

longe vão os tempos áureos de uma empresa que já foi líder de mercado.

mais imagens desta visita de estudo, em breve, no sítio do costume.

fotografia: pedro martins|catarina clemente

fotografia: pedro martins|catarina clemente

fotografia: pedro martins|catarina clemente

Ruins capture the viewers imagination with their ability to tell stories; they are a window into human histories, silent rooms with dust covered furniture, discarded objects that are left behind and a smell of mustiness lingering in the air echoeing a past long gone.

I feel that one of the most powerful aspects of a ruin is the subject that’s missing in the photograph – the people who once worked and lived in these places – their presence can still be felt.

– brian wells, photographer

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engineering meets poetry [bearings]

[imagem: catarina clemente]

My poem had a nervous breakdown.
It cannot bear words any longer.
It tells the words: words
go thither,
to another poem
where thou can live.

This sort of thing can happen to my poem
from time to time.
I can picture it: spread all over
the white linen bed
without prospect or desire

locked into silence
pale
like a chlorotic poem.

I ask: can I do anything for thee?
but it just stares at me;
it sits there looking empty-eyed
dry mouthed.

O meu poema teve um esgotamento nervoso.
Já não suporta mais as palavras.
Diz às palavras: palavras
ide embora,
ide procurar outro poema
onde habitar.

O meu poema tem destas coisas
de vez em quando.
Posso vê-lo: ali distendido
em cama de linho muito branco
sem perspectivas ou desejo

quedando-se num silêncio
pálido
como um poema clorótico.

Pergunto-lhe: posso fazer alguma coisa por ti?
mas apenas me fixa o olhar;
fica a li a fitar-me de olhos vazios
e boca seca.

– daniel jonas

sobre a incapacidade de continuar a suportar. 

ou quando qualquer teoria de vida deixa de fazer sentido.

engineering meets poetry [gears]

Na minha tosca engrenagem,
de ferrugenta sucata,
há qualquer mola de lata
que não se distende bem,
qualquer dessorada glândula
ou nervo que não se enfeixa,
qualquer coisa que não deixa
deflagrar essa girândola
de timbres que o riso tem.

– antónio gideão

“o autor analisa a sua mecânica e os problemas que não o deixam rir.  a sua transmissão entre os movimentos está mal feita. as molas da engrenagem são feitas de um material pouco resistente  e não se conseguem distender bem. as glândulas que constituem a sua mecânica estão estragadas e os seus nervos não se conseguem ligar entre si. estas avarias na sua “mecânica” não deixam provocar o seu riso.”

desta forma se conclui que a falta de alegria pode ser,  essencialmente, resultado de uma avaria no sistema de transmissão