chá

interiors. ideas. emotions. life.

5 meses

5 meses sem escrever. 5 meses de muito trabalho. 5 meses em que tanto aconteceu e, no essencial, nada mudou. gostava de retomar a escrita regular mas, na maior parte dos dias, estou demasiado cansada ou sem paciência. ou simplesmente acho que não há nada de especial a registar. e mais tarde arrependo-me. porque sempre me soube bem regressar aqui e rever bocadinhos da nossa vida. e todos os dias acontece algo especial. como a primeira vez que a carmo foi ao cabeleireiro. ou o dia em que começámos a nossa casa de bonecas. ou apenas aqueles dias em que consigo sair cedo do trabalho e o sol cai sobre o edifício… e é bonito.5 meses

Advertisements

olhos, nariz, boca

“ó mãe, desenha fómas, depois a cámu faz os olhos, o nariz e a boca”
olhos, nariz, bocaolhos, nariz, bocaolhos, nariz, boca

está quase, avô…

o progresso tem sido lento, lentíssimo. passaram quase dois anos desde que a decisão foi tomada. houve avanços e recuos sucessivos. mas finalmente os resultados começam a aparecer e tudo está a ganhar forma. não tarda muito, a tua casa será de novo uma casa com gente dentro.está quase, avô...

divisão silábica

eu: como é que tu dizes futebol?

ela: é assim: xtu-bó-li

o meu pequeno macgyver

ela: mãe, põe o panda!
eu: ó filha, neste carro não tenho a música do panda…
ela: mas a cámu vai ao supédacádo e táz pilhas e depois a mãe põe as pilhas e o panda já cunciona!!!

❤❤❤

ela: este gáda chuva tá toooodo estagádo… agora o avô arranja… com fita-cola!!!

como dizer adeus?

avôHerdei-lhe a inconstância, a insatisfação e o mau feitio. Devia ser mais como o meu avô Zé e estar sempre de bem com a vida, a sorrir, a encolher os ombros e deixar para lá. Mas não sou Zé, sou António. Corre-me nas veias a impetuosidade.
Passaram duas semanas e continuo sem saber como lhe dizer adeus. Penso em tudo o que fez por mim e como me apoiou em todos os momentos. Recordo as nossas conversas (era velho mas não pensava como um velho)… Penso no cruzeiro no Douro que lhe prometi e nunca chegaremos a fazer… Custa-me que tenha partido sem ver a sua casa habitada outra vez… E lamento nunca lhe ter dito o quanto o amava.
Ofende-me que pessoas bem próximas de mim não se tenham dado ao trabalho de uma palavra, de uma mensagem, de um telefonema. Porventura a morte de um velho é menos trágica?
Em cerca de três meses perdi uma avó e um avô. Dos meus quatro avós, restam-me agora memórias: as vozes, os sorrisos, as mãos, o que aprendi com cada um deles… E um orgulho imenso de os ter tido como avós. Todos eles.

da casa: avanços pequeninos

dezenas de pormenores, pouco tempo e um orçamento modesto.
cama de renda [wip]cama de renda [wip]quarto da carmo [wip]
[chegarás a ver a casa que tanto te custou construir novamente habitada?]

não estou preparada

“há muito que tinha começado a despedir-me de ti. devagar, à medida que a doença te roubava  a vida e a personalidade, eu ia-te dizendo adeus. quando ela te subjugou por completo, quando de ti só restava um corpo em sofrimento, desejei muitas vezes que ela te deixasse partir e sossegar. mas agora que esse alívio chegou, as memórias de quem foste avivaram-se de novo e tomei consciência do vazio que deixas.”

67 dias.
há 67 dias despedi-me assim da minha avó.
não estou preparada para te perder também.
ainda preciso de te dizer o quanto significas para mim.  P1000196

diálogos da carmo #2

a almoçar em Penela, o pai diz-lhe:

– sabes de onde é esta sopa, filha? de Penela…

– da panela, pai?

(sim, filha… da panela. é óbvio)

 

diálogos da carmo #1

eu, para um amigo: – A Carmo foi ver “os Azeitonas” e gostou muito!

o amigo, para a Carmo: – Mas há alguma coisa de que tu não gostes?

a Carmo, para o amigo: – Do caroço…